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Bancos sem Agências Físicas: A Revolução Digital

Bancos sem Agências Físicas: A Revolução Digital

11/01/2026 - 10:11
Bruno Anderson
Bancos sem Agências Físicas: A Revolução Digital

Nos últimos dez anos, o setor financeiro brasileiro passou por uma transformação sem precedentes. A migração acelerada para o ambiente digital está redefinindo como os clientes interagem com suas finanças, gerando desafios e oportunidades para instituições de todos os tamanhos. Este artigo explora esse cenário em detalhes, apresenta dados concretos e sugere caminhos práticos para quem busca se adaptar e prosperar nesta nova era.

O Fim das Agências Físicas e Avanço Digital

Entre 2015 e 2025, o número de agências físicas no Brasil caiu de mais de 23 mil para cerca de 15,5 mil, sinalizando mudança estrutural no modelo de atendimento. Grandes bancos, como Bradesco, Itaú Unibanco e Santander, fecharam centenas de unidades enquanto demitiam milhares de colaboradores. Esse processo não se limita ao fechamento de portas: ele reflete a preferência crescente por canais digitais e o compromisso das instituições em cortar custos operacionais de forma estratégica.

Ao mesmo tempo, surgem oportunidades para fintechs e bancos digitais, que nasceram sem essa infraestrutura tradicional e conquistam espaço com agilidade e inovação. O conforto do cliente em resolver tudo via smartphone transformou radicalmente a experiência bancária. Hoje, transferências, pagamentos e investimentos estão a poucos toques de distância.

Adoção e Impacto das Transações Digitais

O protagonismo das transações online não é mero acaso. Em 2024, 82% de todas as operações bancárias ocorreram por meio de aplicativos e internet banking, totalizando 208,2 bilhões de transações. Sistemas como o Pix lideram esse movimento: apenas no primeiro semestre de 2025, o Pix Saque registrou 7,7 milhões de operações, um crescimento de 36,2% em relação ao período anterior.

Diante desse cenário, é fundamental analisar os principais indicadores que revelam a profundidade da digitalização:

  • 119,6 milhões de brasileiros acessaram bancos online em 2024, ou 71,2% dos usuários de internet;
  • 60% das novas contas abertas em 2024 foram totalmente digitais;
  • crescimento de 6% no número de contas bancárias de 2022 a 2024;
  • investimentos previstos em tecnologia alcançando R$ 47,8 bilhões em 2025.

Esses números comprovam a real maturidade do ecossistema financeiro e definem um panorama em que a maturidade do mobile banking se torna fator de sobrevivência e competitividade.

Estratégias dos Bancos Tradicionais e Cooperativas

Os grandes bancos tradicionais continuam dominando mais de 70% dos ativos financeiros do país, mas ajustam suas estratégias para manter relevância. Enquanto alguns optam por um modelo híbrido, mantendo presença territorial em cidades e bairros, outros aceleram o fechamento de agências.

As cooperativas de crédito, por sua vez, concentram-se em fortalecer o atendimento presencial, acreditando na confiança e no relacionamento personalizado. Nesse processo, o equilíbrio entre digital e físico mostra sua força.

  • Itaú, Bradesco e Santander investem em plataformas avançadas de IA e analytics;
  • Sicoob e Sicredi inauguraram dezenas de agências em 2023, reforçando o modelo híbrido combinando atendimento presencial;
  • Banco do Brasil mantém todas as agências, valorizando a proximidade com o público.

Crescimento e Desafios dos Bancos Digitais

Os bancos digitais mantêm crescimento expressivo, conquistando clientes de todas as faixas de renda. Em 2024, fintechs concederam R$ 35,5 bilhões em crédito, um salto de 68% em relação ao ano anterior, e ampliaram sua base para 67,5 milhões de clientes. Apesar do sucesso, a rentabilidade ainda é um desafio: muitos operam no vermelho devido ao custo de aquisição e oferta de serviços gratuitos.

Além disso, a segurança digital é uma preocupação constante. Vazamentos de dados e fraudes podem abalar a confiança do consumidor. As instituições investem em soluções de autenticação biométrica e sistemas de prevenção, mas o equilíbrio entre inovação e proteção permanece em construção.

Satisfação e Fidelidade dos Clientes

A percepção dos usuários evoluiu junto com as tecnologias. O NPS geral do setor bancário passou de 43 para 47 em 2024, enquanto bancos digitais atingiram média de 73,1, liderados pelo Nubank com 75 pontos. Entre tradicionais, o Itaú destacou-se com 62,4 de NPS. A confiança também se reflete na fidelidade:

Além disso, fintechs registram inadimplência ligeiramente superior, de 9,5%, diante dos 8,3% de 2023. Isso evidencia que pagamentos instantâneos via PIX e soluções digitais não substituem a necessidade de uma gestão de risco afinada.

Inovações Futuras e Expectativas dos Clientes

A próxima década promete consolidar tecnologias como inteligência artificial e blockchain no coração dos serviços financeiros. A migração para a nuvem, prevista para crescer 59%, embasará operações mais escaláveis e seguras. Já as criptomoedas devem ser reguladas e integradas a carteiras digitais, redefinindo conceitos de valor e transação.

Na esteira dessas inovações, o perfil do cliente também muda. Hoje, não basta oferecer taxas competitivas; é essencial demonstrar propósito e responsabilidade socioambiental. A demanda por soluções alinhadas a critérios ESG cresce a cada dia, e o feedback contínuo passou a ser requisito básico para manter o engajamento.

Para empresas e profissionais que atuam no setor, o momento é de se antecipar. Investir em qualificação, conhecer novas ferramentas de análise de dados e adotar uma cultura centrada no cliente são medidas imprescindíveis. A jornada rumo ao futuro financeiro é desafiadora, mas cada etapa traz aprendizados valiosos.

Conclusão

A revolução digital nos bancos não é apenas uma mudança de canal de atendimento, mas uma reconfiguração de todo o ecossistema financeiro. Clientes, instituições e reguladores estão construindo juntos um novo paradigma, marcado por maior conveniência, segurança e personalização. Ao compreender as tendências e agir de forma proativa, cada um pode aproveitar as oportunidades emergentes e se posicionar de forma sólida neste novo cenário.

Esteja você em uma grande corporação ou em uma startup promissora, o desafio é o mesmo: integrar tecnologia, empatia e sustentabilidade para criar soluções que façam sentido na vida das pessoas. O futuro já começou, e ele espera por protagonistas dispostos a inovar.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

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