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Crédito e Recessão Econômica: Navezando em Águas Turbulentas

Crédito e Recessão Econômica: Navezando em Águas Turbulentas

18/01/2026 - 05:02
Lincoln Marques
Crédito e Recessão Econômica: Navezando em Águas Turbulentas

Em meio a um cenário macroeconômico desafiador, a economia brasileira se vê pressionada por uma combinação única de fatores que ameaçam tanto o crescimento quanto a estabilidade financeira. Com a alta histórica da Selic combinada com uma inflação teimosa, muitas famílias e empresas têm se sentido à deriva, sem um porto seguro que garanta segurança.

Este artigo pretende oferecer não apenas um diagnóstico detalhado do quadro atual, mas também apresentar estratégias práticas e inspiradoras para que indivíduos e organizações possam ajustar a rota e enfrentar essa tempestade com maior confiança.

Cenário Econômico Atual

Em dezembro de 2025, a taxa Selic alcançou 15% ao ano, mantendo-se como uma das mais elevadas globalmente. A taxa real de juros, próxima de 9%, eleva o custo do crédito e restringe o consumo. Ao mesmo tempo, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 5,1%, permanecendo acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

O Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou de 3,4% em 2024 para projeções entre 1,5% e 2,3% em 2025, sinalizando um risco crescente de recessão técnica. Setores-chave como serviços e construção civil já sentem o impacto, refletido na queda de investimentos e na retração da formação bruta de capital fixo.

O Paradoxo do Crédito no Brasil

Surpreendentemente, mesmo com a pressões inflacionárias persistentes no mercado e juros elevados, o crédito bancário cresceu 11,5% em 2024, enquanto a emissão de títulos privados subiu 30%. Esse fenômeno decorre de uma combinação de renda em expansão, inclusão financeira e a expansão rápida das fintechs, que conquistaram fatias importantes do mercado.

No entanto, desde abril de 2025, o volume de novos empréstimos vem recuando. A transmissão da política monetária – onde cada ponto percentual adicional na Selic eleva as taxas de empréstimo em aproximadamente 0,7 ponto após quatro meses – começa a desestimular tomadores, refletindo em menor oferta e demanda de crédito.

Impacto no Dia a Dia das Famílias

O aumento da inadimplência, que cresceu 9% entre setembro de 2024 e 2025, atinge cerca de 80 milhões de consumidores, com dívidas totais próximas a R$ 500 bilhões. Hoje, 77% dos lares brasileiros carregam ônus no cheque especial e no cartão de crédito. Esse cenário gera níveis de ansiedade financeira elevada, afetando decisões de consumo e bem-estar.

  • Elabore um orçamento realista: mapeie receitas e despesas para controlar melhor o fluxo de caixa pessoal.
  • Priorize dívidas de alto custo: renegocie juros de cartão e cheque especial, buscando taxas mais baixas.
  • Crie um fundo de emergência: destine ao menos 5% da renda para imprevistos, reduzindo a necessidade de crédito.
  • Aproveite soluções alternativas: fintechs podem oferecer empréstimos mais flexíveis e com menor burocracia.

Estratégias para Empresas e Empreendedores

Para o setor produtivo, a crise de crédito e a ambiente de imprevisibilidade crescente nos mercados exigem adaptação rápida. Com a queda de 2,2% na formação bruta de capital fixo em 2025, empresas devem buscar fontes de financiamento diversificadas e otimizar processos internos para manter a saúde financeira.

  • Reavalie o ciclo operacional: encurte prazos de recebimento e renegocie prazos de pagamento com fornecedores.
  • Considere debêntures incentivadas: aproveite isenções fiscais para captar recursos com menor custo.
  • Invista em tecnologia: automação e gestão digital podem reduzir custos e aumentar a eficiência.
  • Fortaleça o relacionamento bancário: mantenha diálogo aberto para renegociações e linhas de crédito emergenciais.

Perspectivas e Caminhos para 2026

Economistas projetam início do ciclo de cortes de juros em janeiro de 2026, com a Selic caindo para 12,25%. A normalização da política monetária global pode reduzir volatilidade cambial e aliviar pressões inflacionárias. Além disso, a expectativa de menor tensão nos mercados internacionais favorece o ambiente de negócios.

Apesar dos riscos geopolíticos e de uma possível desaceleração chinesa, o Brasil pode contar com a resiliência interna de setores como agronegócio e com avanços na inclusão financeira, que ampliam o acesso a serviços e promovem maior competitividade.

Em um momento em que mais de um terço do mercado prevê recessão, a chave está em adotar soluções criativas de gestão financeira e manter uma visão de longo prazo. A tempestade não durará para sempre, e quem souber ajustar as velas poderá emergir mais forte.

Referências

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Sobre o Autor: Lincoln Marques

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