O mercado de seguros no Brasil vem passando por uma transformação profunda, ancorada na convergência entre insurtechs e instituições financeiras. Este artigo explora como essa união não apenas redefine práticas comerciais, mas também amplia horizontes de crescimento, inclusão financeira e inovação.
Nos últimos anos, o ecossistema brasileiro de insurtechs teve um crescimento exponencial das insurtechs brasileiras, abrigando hoje 206 startups, das 502 existentes na América Latina. Essa expansão se traduz em mais de R$ 350 milhões captados até maio de 2025, o que representa um salto significativo em relação aos R$ 139 milhões do ano anterior.
A redução da mortalidade dessas empresas de 12% para 7% demonstra a eficácia de políticas como o sandbox regulatório e a atuação das MGAs, que atuam como intermediárias e distribuem seguros de forma ágil e segura.
Esses números ressaltam a força de um setor que se sustenta em inovação contínua e parcerias estratégicas, criando pontes firmes com o universo bancário.
As colaborações entre insurtechs e bancos têm se consolidado como motores de distribuição e capilaridade. A 180 Seguros, por exemplo, foi fundada com o propósito de apoiar bancos na venda de seguros, apostando em vendas contextuais que integram o seguro a outros produtos financeiros.
Outra história de sucesso é a da Pier, que começou com seguro de celular e avançou para automóvel. Em 2024, a empresa incorporou corretores em sua operação, proporcionando pagamentos de reembolso instantâneos e eficientes para clientes.
Esses modelos de parceria exemplificam como bancos podem enriquecer sua oferta de serviços, elevando o nível de engajamento e fidelização dos clientes.
A adoção de inteligência artificial generativa e automação de processos tem se mostrado um diferencial competitivo. Enquanto, em 2020, apenas 32% dos executivos acreditavam no impacto da IA, em 2025 esse índice saltou para 65%, refletindo a crescente confiança na tecnologia.
Atualmente, 96% das empresas mantêm ou ampliam seus investimentos tecnológicos, direcionando recursos a plataformas de precificação avançada como Hyperexponential e Akur8. Essas soluções proporcionam análises de risco mais apuradas e agilidade na emissão de apólices.
O sandbox regulatório, idealizado pela SUSEP, também permite que novos modelos de negócio sejam testados com segurança, reduzindo a mortalidade das insurtechs e fomentando experimentação controlada e colaborativa.
Algumas empresas se destacam por seu impacto e inovação, servindo de inspiração para todo o setor:
Esses casos ilustram como a combinação de expertise em seguros e tecnologia pode gerar resultados financeiros expressivos e impacto social.
A transformação do setor de seguros seguirá guiada por tendências que mesclam tecnologia, regulação e novos modelos de distribuição. Estima-se que 70% dos líderes do setor vivenciarão mudanças relevantes nos próximos três a cinco anos.
Entre as inovações mais promissoras estão os seguros embarcados, que se inserem em jornadas de consumo, e agentes virtuais autônomos que podem tomar decisões em tempo real. Além disso, cresce o interesse por produtos de impacto social voltados a motoristas de aplicativo e trabalhadores informais.
Vale destacar também a relevância da inclusão financeira: 68% dos clientes atendidos pelas insurtechs do sandbox nunca haviam contratado um seguro antes. Isso demonstra o potencial de democratização do acesso à proteção.
Mesmo diante da digitalização intensa, o corretor de seguros permanece central no novo ecossistema de seguros, atuando como elo entre tecnologia e necessidades reais dos clientes. O mercado reconhece que o digital empodera, mas não substitui a expertise humana.
Paralelamente, a SUSEP fortalece a regulação de cooperativas de seguros e iniciativas mutualistas, garantindo a segurança e a confiança necessárias para sustentar o crescimento do setor.
A aliança entre insurtechs e bancos mostra-se mais que estratégica: é imprescindível para impulsionar inovação inclusiva e sustentável no mercado de seguros. Com parcerias robustas, investimentos em tecnologia e regulação adequada, o setor se projeta rumo a um futuro em que proteção e serviços financeiros caminham lado a lado.
Profissionais e empresas que abraçarem essa transformação estarão na vanguarda de um movimento que redefine parâmetros de eficiência, agilidade e proximidade com o cliente. O momento é agora: o elo entre insurtechs e setor bancário se fortalece, criando oportunidades para todos os atores envolvidos e garantindo uma jornada de seguros mais humana e conectada.
Referências