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Personalização em Massa: O Novo Padrão Bancário

Personalização em Massa: O Novo Padrão Bancário

31/01/2026 - 22:14
Giovanni Medeiros
Personalização em Massa: O Novo Padrão Bancário

Em um mundo cada vez mais conectado, o setor bancário vive uma revolução silenciosa. A transformação estratégica fundamental chegou para redefinir por completo a forma como as instituições financeiras se relacionam com cada cliente.

Este artigo explora como a hiperpersonalização se tornou o novo padrão bancário, destacando práticas, tecnologias e lições inspiradoras para quem busca adotar essa abordagem.

O Que é Hiperpersonalização no Setor Bancário

A hiperpersonalização vai além de incluir o nome do cliente em um e-mail. Trata-se de utilizar dados em tempo real, inteligência artificial e automação para criar experiências financeiras verdadeiramente únicas.

Na prática, isso significa analisar comportamento de uso, histórico de transações e contexto imediato para sugerir produtos, serviços e orientações financeiras que correspondam às necessidades de cada pessoa.

Mudança no Perfil do Cliente

O consumidor bancário contemporâneo é exigente e digital. Acostumado a plataformas como Spotify e Netflix, ele espera recomendações tão precisas e fluidas quanto as que vivencia em serviços de entretenimento e comércio.

Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, o mobile banking representa 75% das operações bancárias e 92% das transações de pessoas físicas.

  • 75% das operações via mobile banking em 2024
  • 92% das transações de pessoas físicas concentradas no digital
  • Exigência de interações mais ágeis e contextualizadas

Essa centralidade do canal digital reforça a urgência de estratégias mais personalizadas e eficientes.

Visão Geral das Estratégias dos Grandes Bancos

Cada instituição adota sua própria abordagem, mas todas compartilham o objetivo de oferecer um banco para cada cliente de maneira escalável e sustentável.

Banco do Brasil: Governança e Capacitação

O Banco do Brasil estrutura sua jornada de personalização em três pilares: escala tecnológica, capacitação de equipes e foco em eficiência.

  • Mais de 65 mil funcionários treinados em 2024
  • Programa AcademIA com 24 mil formados
  • Plataforma robusta de governança de IA

Cada projeto passa por avaliação rigorosa de segurança, privacidade e riscos antes de chegar à produção, garantindo adoção segura e responsável.

Como destacou Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil: “Temos uma obsessão por entregar um banco para cada cliente.”

Bradesco: IA Generativa em Escala

O Bradesco investe no Programa Transforma AI e na BIA Tech, que já interage com 24 milhões de correntistas.

  • Aproximadamente 50% de ganhos de produtividade
  • Ferramentas para síntese de requisitos de software
  • Estratégia de IA generativa aplicada a atendimento e processos

A experiência do usuário é refinada por modelos que aprendem continuamente, tornando as recomendações cada vez mais precisas.

Itaú Unibanco: Do Transacional ao Consultivo

O Itaú aposta em se tornar um banco consultivo, apoiado por um robusto investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Com 17,5 mil desenvolvedores e mais de 500 projetos em nuvem, a instituição já lançou uma ferramenta pioneira de IA generativa para consumo.

Milton Maluhy Filho afirma: “A personalização faz parte de uma agenda de investimentos de longo prazo.”

Santander: Inclusão e Contexto Contínuo

No Santander, a personalização é sinônimo de inclusão financeira. A instituição conecta dados de hábitos, consumo e contexto para oferecer uma jornada contínua.

Em maio, o volume de transações incluiu 4,4 bilhões pela internet e 20 milhões em agências físicas, com IA integrada em todos os canais.

Segundo Mário Leão: “Cada cliente é um.”

BTG Pactual: Digital Nativo e Escalabilidade

Como banco universal digital, o BTG Pactual foca em oferecer a mesma excelência de atendimento a PMEs e grandes corporações.

Roberto Sallouti destaca que aproveitaram a digitalização para construir um novo negócio, com 75% de ganho em qualidade de experiência e 30% de velocidade na programação.

Caixa Econômica: IA e Governança de Dados

A Caixa utiliza IA para personalizar interações com base em quatro princípios: transformação, engajamento, informação e aprendizado.

O case Prospera, linha de microcrédito de R$ 4 bilhões, demonstra como a tecnologia pode impactar positivamente pequenas comunidades.

Tecnologias Habilitadoras

As principais ferramentas que alimentam a personalização em massa são:

  • Inteligência Artificial: Automação de tarefas repetitivas e monitoramento contínuo
  • IA Generativa e Agêntica: Processos de personalização escaláveis
  • CRM 360 e Sistemas de Recomendação: Visão completa do cliente
  • Análise de Big Data em tempo real: Antecipação de necessidades

Essas tecnologias permitem tratar cada cliente de forma única, sem perder eficiência operacional.

Como Implementar Hiperpersonalização na Sua Organização

Para embarcar nessa jornada, siga alguns passos práticos:

  1. Mapear a jornada do cliente e identificar pontos de atrito.
  2. Investir em soluções de análise de dados em tempo real.
  3. Capacitar equipes em cultura de dados e ética de IA.
  4. Estabelecer governança robusta de privacidade e segurança.
  5. Avaliar resultados continuamente e ajustar modelos.

O processo exige tempo, mas cada conquista resulta em valor tangível para o cliente e maior fidelização.

Benefícios e Impactos na Experiência do Cliente

Instituições que adotam hiperpersonalização colhem benefícios como:

  • Aumento da satisfação e do engajamento
  • Redução de churn e atração de novos clientes
  • Otimização de custos operacionais
  • Maior assertividade nas ofertas de produtos

Esses ganhos geram um ciclo virtuoso de inovação, fortalecendo a competitividade e construindo confiança.

Desafios e Considerações Éticas

Nenhuma estratégia é isenta de riscos. Para garantir adoção segura e responsável, é fundamental:

  • Implementar guardrails claros para uso de IA
  • Anonimizar dados sensíveis sempre que possível
  • Manter transparência nas comunicações com o cliente
  • Realizar auditorias independentes de algoritmos

Equilibrar inovação e proteção fortalece a reputação e evita crises de privacidade.

Perspectivas Futuras

O futuro reserva combinações ainda mais potentes de IA, computação quântica e Internet das Coisas para entregar serviços bancários quase em tempo real.

Isso permitirá que ofertas sejam ajustadas no mesmo instante em que uma necessidade financeira emerge, consolidando a visão de um banco que realmente entende cada cliente.

Conclusão

A hiperpersonalização representa o ponto de inflexão que o setor bancário esperava há séculos. Instituições que adotam essa abordagem não apenas satisfazem expectativas mais altas, mas também criam laços profundos e duradouros com seus clientes.

Abraçar essa revolução do relacionamento bancário é apostar em relevância, inovação e crescimento sustentável. O momento de agir é agora: transforme a jornada do seu cliente em uma experiência verdadeiramente única.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros